"Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemo-nos diante do Senhor, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo do Seu pasto e ovelhas da Sua mão" - Salmos 95: 6 e 7.
Ao ler esses versículos, percebo o quanto estamos distante, ainda, da solene atitude diante do Criador. Vejam que nas palavras do salmista Davi há todas as expressões da autêntica adoração. Primeiro é feito um forte e sonido convite a todos ("Vinde, adoremos"). A aceitação a esse convite leva o propenso adorador a um estado de prostração ("...e prostremo-nos"). Fiquei, confesso, preocupado com o significado dessa palavra e nos exageros que muitos podem entender de seu significado. Por isso, fui ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa e constatei que "prostração", segundo o contexto bíblico, está relacionado à curvar-se ou lançar-se por terra. Essa atitude me fez lembrar de Moisés diante de Deus, face a face, lá no monte Sinai. O patriarca prostrou-se diante da glória do Senhor a fim de adorá-lo com refinada reverência. Somente a luz que emanava do Altíssimo seria suficiente para fulminar o líder de Israel. Mas Moisés seguiu direitinho a lição que ensinara a seus seguidores, por isso, prestou a verdadeira adoração.
Em seguida, nos versículos em análise, Davi ressalta que não basta curvar-se em prostração, é preciso ir além, ou seja, também é necessário ajoelhar-se ("ajoelhemo-nos...") diante do Senhor ("...que nos criou."). O salmista lembra, imediatamente após, que adoração e criação estão intimamente relacionadas. A criação é fundamental à adoração verdadeira, uma vez que toda a nossa crença está alicerçada no fato de que "Deus é o criador dos céus, da Terra e tudo o que neles há". Além disso, quando o adorador ajoelha-se está manifestando sua sincera e humilde reverência ao Senhor e reconhecendo a Sua grandeza ("Ele é o nosso Deus, e nós, povo do Seu pasto e ovelhas de Sua mão.").
Então, com foco nas verdades bíblicas, entendemos que adoração requer:
- aceitação ao convite de Deus à adoração ("Vinde, adoremos...");
- prostração em reverência , ou seja, curvar-se diante do Senhor ("...prostremo-nos");
- reconhecimento da condição humana pecadora e da grandiosiade divina ao ajoelhar-se diante do trono do Altíssimo ("...ajoelhemo-nos diante do Senhor");
No entanto, devemos estar atentos para não praticarmos a adoração teatralizada. Assim procediam os fariseus, os quais oravam em voz alta para demonstração pública da religiosidade praticada.
Em João 4:23, lemos: "Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores".
Jesus está chamando para uma forma equilibrada de adoração, que procede do coração, que é sincera e profundamente sentida, que nasce do amor e temor a Deus. Quem adora "em espírito" pratica o equilíbrio; quem adora "em verdade" expõe toda a sinceridade de coração. Portanto, precisamos adorar de forma completa, com a razão e com o coração.
Então, podemos completar nossa lista anterior e dizer que a adoração também requer:
- equilíbrio racional do pensamento (foco em Deus);
- sinceridade de coração (amor e temor a Deus).
A respeito, Ellen G. White (Profetas e Reis - p.512) afirma que "os tempos de provação que estão diante do povo de Deus reclamam uma fé que não vacile. Seus filhos devem tornar manifesto que Ele é o único objeto do seu culto". Esse é, pois, o culto racional e sincero que o nosso Deus merece! Dessa forma "a igreja de Deus na Terra se une com a do céu. Os crentes na Terra e os seres celestiais que não pecaram, constituem uma só igreja. Cada ser celestial toma interesse nos santos que na Terra se reúnem para adorar a Deus... Deus nos ensina que devemos no congregar em Sua casa, a fim de cultivar as qualidades do amor perfeito. Com isso, os habitantes da Terra serão habilitados para as moradas celestiais que Cristo foi preparar para os que O amam. Lá no santuário de Deus, reunir-se-ão, então, sábado após sábado e mês a mês para participarem dos mais sublimes cânticos de louvor e ação de graças, entoados em honra dAquele que está assentado no trono, e ao Cordeiro, eternamente" (Conselhos para a igreja - pp.244 e 245).
Que o Senhor nos abençoe e, a partir de então, sejamos verdadeiros adoradores!